A gente até pode entender, pela razão, que certos padrões já não servem mais: o machismo aprendido, a vergonha do corpo, o medo da idade, a culpa diante de desejos que escapam da norma. Mas compreender não é o mesmo que transformar.
Entre aquilo que a mente já questionou e aquilo que o afeto ainda sustenta, existe um intervalo. Um espaço de ambivalência, recaídas, estranhamentos e contradições. Mudar não acontece no instante em que se pensa diferente. A mudança exige tempo para atravessar o corpo, os vínculos, a história e as emoções.
Por isso, tantas vezes, a gente aponta para uma direção e, ao mesmo tempo, ainda se percebe preso(a) a velhos roteiros. Não porque esteja falhando, mas porque todo processo de mudança real passa por conflitos. Desconstruir é também suportar esse caminho sem exigir de si uma coerência imediata.
Se libertar de um rótulo não é apenas rejeitá-lo com a cabeça. É deixar de obedecê-lo por dentro. E isso, quase sempre, leva tempo.










