Ana Canosa – Colaboração para Universa
Uma leitora me escreve contando que é uma mulher sexualmente ativa, que gosta de fazer sexo e se masturba com frequência. Ultimamente ela tem notado que a sua lubrificação está mais presente do que nunca e que, às vezes, se sente constrangida. E arremata: “Sei que não devemos nada aos homens e que essa lubrificação é natural, mas gostaria de saber o que eles acham de mulheres como eu, tendo em vista que até já ouvi “reclamações”.
Eu poderia abordar esse tema, só pela questão feminina existencial: tente não dar valor ao que os homens pensam sobre o seu corpo, a sua resposta sexual, ao seu fluido vaginal.
Por séculos a fio a “culpa” de tudo recai sobre as mulheres, a sexualidade feminina virou um manual de problemas ginecológicos e sexuais – além daquilo que chamam por aí de mi-mi-mis – e está na hora de reverter esse quadro. Se você tem muita lubrificação é sinal de que o seu corpo responde dessa maneira a excitação sexual e, portanto, não há nada de errado com ele.
Eu posso sugerir que você mude a chave: combata o constrangimento com frases de efeito motivacional: “eu tenho uma cascata de tesão dentro de mim e minha vagina transborda de prazer” – mas eu entendo o seu incômodo e a sua preocupação com o que eles acham sobre isso – isso não acontece só com você, fomos treinadas para pensar demais sobre o prazer alheio.
Você pode sim usar a minha frase motivacional, tá? Mas sigamos adiante. A primeira questão é entender se o seu prazer sexual fica comprometido, você sente que a sua intensa lubrificação atrapalha o seu prazer?
Conheço uma infinidade de homens que adoram uma cachoeira vaginal. Quanto mais lubrificação, mais a sensação de que a mulher está aproveitando aquele momento – mesmo que alguns tomem para si o ‘feito’ – como se essa resposta de excitação só dependa da incrível perícia e performance sexual deles.
Outros acham verdadeiramente curioso, como uma vagina pode lubrificar tanto e até “ejacular”. Mas sim, há os que se incomodam, pois muita lubrificação pode diminuir o atrito e fricção do pênis com a vagina – portanto, isso pode comprometer o seu prazer e o de alguns parceiros.
Digo alguns já que a sensibilidade e o tamanho do pênis podem também fazer um diferencial nesses casos. Então, na verdade o ´fenômeno’ seria responsabilidade de quem? Da sua vagina molhada ou do pênis de menor calibre? Há, há
Assim como a química sexual é uma ‘sorte’, o “encaixe” também. A gente não explica bem como esses fenômenos acontecem, mas só sabemos que tem parcerias que explodem no sexo – são uma verdadeira comunhão sexual intergaláctica.
Talvez, os homens que reclamaram da sua lubrificação nem eram os parceiros mais compatíveis com você, por outras razões e não só por seu fluído vaginal. Quando há desejo, excitação e interesse na relação, alguns percalços no sexo podem ser resolvidos, sem que se crie um drama mexicano. No caso do inverso, por exemplo, como pouca lubrificação, o uso dos lubrificantes resolve a situação.
Alguns preservativos com texturas – a venda em sex shops – podem aumentar o atrito do pênis durante a penetração. Há também a possibilidade do uso de um tipo de gel adstringente, para diminuir a lubrificação, mas essa indicação deve ser feita pela sua ginecologista, depois que vocês avaliarem juntas a necessidade real dessa intervenção.
Sabe, muitas vezes o que mais atrapalha o prazer sexual não são os ajustes que podem ser feitos, como o uso dos acessórios, dos medicamentos pró-sexuais, dos géis, as melhores posições e práticas a fim de garantir a satisfação de todos, mas sim aquela voz na nossa cabeça que invade a dizer que algo está errado. Essa sim é a enxurrada mais difícil de controlar e a que mais devemos tentar combater.
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Imagem: Uol Universa – fizkes/Getty Images/iStockphoto










