Clitóris: por que orgão do prazer feminino merece mais atenção da ciência? – UOL Universa

Ana Canosa – Colaboração para Universa

A glande do clitóris – aquela parte que fica visível na vulva – é coberta por uma pele chamada prepúcio. Quando as mulheres estão excitadas e o clitóris intumescido, o prepúcio se retrai. Às vezes essa retração não acontece pois há uma “aderência” da pele na glande e esse compartimento “fechado”, pode ficar irritado ou infectado, resultando em disfunção sexual. Trauma perineal, doenças autoimunes como líquen, lesões de HPV e tratamentos estéticos podem ser os motivadores. Histórico de dor sexual, infecção por fungos, infecção urinária, e disfunções sexuais podem ser desencadeados por essa condição.

Há uma dificuldade em se tratar o assunto, por falta de desconhecimento da anatomia e funcionalidade do clitóris. Por muito tempo queixas sexuais, principalmente aquelas oriundas de homens cis, casados e heterossexuais estavam associadas a um problema feminino: ou a mulher não gostava de fazer sexo, ou tinha problemas hormonais de libido, ou estava na menopausa, ou estava com frescura mesmo.

A fisiologia da resposta sexual feminina só começou a ser compreendida no final do século XX e a anatomia do clitóris, embora já fosse conhecida, só voltou a figurar nos livros de medicina recentemente. O prazer sexual feminino é assunto da atualidade.

Mas não basta saber que o clitóris existe e que os profissionais de saúde, principalmente os que trabalham a sexualidade, mostrem o seu protótipo em 3D e reforcem a sua importância para a excitação e o orgasmo; a verdade é que conhecemos muito pouco sobre como a sua funcionalidade acontece, como é a ramificação dos nervos que o envolvem e algumas condições anatômicas e fisiológicas devem sim serem investigadas.

Nem tudo é psicológico ou falta de conhecimento.

Médicos ginecologistas devem avaliar o clitóris nos exames de rotina. Pessoas com vulvas podem ter lesões no clitóris e nos nervos responsáveis pela sua resposta de excitação e orgasmo, advindas de procedimentos cirúrgicos descuidados, episiotomias durante o parto, labioplastias (procedimento para reduzir o tamanho dos lábios internos) mal executadas.

Então, cirurgiões e obstetras devem se preocupar com qualquer intervenção na vulva e na região pélvica, já que o clitóris tem uma estrutura interna importante e nervos que se ramificam – lesioná-los certamente interferirá no prazer sexual feminino.

O grande e grave problema está, justamente, no desconhecimento de toda a sua estrutura. Outras áreas da medicina precisam se interessar, já que uma lesão pode ser provocada durante uma intervenção que aparentemente não teria relação com os genitais femininos.

A comunidade cientifica precisa se mobilizar e mais pesquisas devem ser realizadas, pois muitas perguntas ainda são uma incógnita: por que algumas mulheres sentem maior prazer na região do canal vaginal conhecida como “ponto G” e outras não? Por que algumas ejaculam, outras têm squirting (e será mesmo que são dois fenômenos diferentes?) e algumas manifestam as duas coisas e outras nenhuma delas? O que causa a vulvodínea, condição que provoca dor na entrada do canal vaginal?

Para desmistificar a sexualidade de pessoas com vulva, é preciso ter como objetivo fundamental proporcionar prazer e bem-estar e não somente contemplar o caráter reprodutivo de nossa condição sexual.

 

Leia também no Portal Universa:
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Imagem: Uol Universa – Deon Black/Pexels

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