60% das brasileiras sentem que não se dedicam o suficiente ao próprio prazer

Uma pesquisa conduzida pela consultoria Think Eva, a pedido do Boticário, traz dados relevantes para a compreensão das barreiras que ainda impedem as mulheres de se conectarem plenamente com o próprio pr4zer. Realizada com mais de 2 mil mulheres entre 18 e 60 anos, de todas as regiões do Brasil, a pesquisa revelou que 60% das entrevistadas sentem que não dedicam tempo suficiente à vivência do pr4zer.

Os principais fatores apontados foram o estresse crônico, a sobrecarga de trabalho, a exaustão física e emocional, e a distribuição desigual das tarefas domésticas e de cuidado. Esses elementos evidenciam como o prazer feminino é atravessado por questões estruturais de gênero, marcadas por jornadas múltiplas e por uma responsabilização histórica das mulheres pelo bem-estar dos outros, em detrimento do cuidado de si.

Além dos fatores contextuais, os dados mostram uma importante dimensão subjetiva e informacional: apesar de apenas 22% das entrevistadas afirmem conhecer pouco o próprio corpo, 32% não sabem o que são zonas er0genas — e impressionantes 80% já afirmaram ter fingido um 0rgasmo. Esses números não só revelam lacunas no acesso à educação s3xual, como também indicam o quanto ainda é desafiador para muitas mulheres expressar seus desejos e limites de forma autêntica, mesmo em contextos íntimos.

Outro ponto relevante diz respeito à relação entre prazer e autoestima. A percepção de si mesma como atraente, desejável ou em equilíbrio com o próprio corpo é um fator central na abertura para o prazer. A ausência de reconhecimento do próprio valor e a desconexão corporal, portanto, operam como mecanismos silenciosos de bloqueio, muitas vezes naturalizados.

Diante desse panorama, é fundamental reafirmar que o prazer não é um luxo ou um detalhe da vida afetiva-s3xual, mas uma dimensão fundamental da saúde integral e do bem-estar psíquico. Considerá-lo como um direito implica pensar políticas, práticas educativas e espaços de escuta que promovam o autoconhecimento, a autoestima e a autonomia das mulheres. Trata-se, portanto, de um debate que ultrapassa a esfera privada e se insere no campo da justiça social e da equidade de gênero.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/lifestyle/60-das-mulheres-sentem-que-nao-se-dedicam-o-suficiente-ao-proprio-prazer-diz-pesquisa/

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