Você é transante? Atenção: resposta não depende do seu número de parceiros – UOL Universa

Ana Canosa – Colaboração para Universa

Essa semana, a atriz Carolina Dieckman contou no podcast “Quem Pode, Pod” que é uma pessoa transante, embora não faça sexo diariamente com o marido e que dê para contar em uma mão os parceiros sexuais que teve ao longo da vida.

A declaração é maravilhosa porque desconstrói a ideia de uma performance sexual enraizada no imaginário popular e que está, infelizmente, popularizada: ser ‘transante’ é fazer sexo casual, ter várias parcerias, experimentar swing, ménage, BDSM, todos os gêneros, praticar o tantra, ter orgasmos múltiplos, usar todos os vibradores, ter squirting, fazer sexo diariamente.

Tudo isso pode ser, de fato, interessante, quando vem responder a uma curiosidade legítima do desejo e não há uma necessidade de se enquadrar em um modelo social.

O histórico sexual pode trazer à consciência pontos interessantes sobre a sua persona sexual: como você lida com a interação afetiva, como e o quanto se atrai pelas pessoas, a necessidade de seduzir, as narrativas do seu erotismo. Mas é importante reforçar que fazer essa avaliação só tendo em conta o número de parcerias é bem arriscado.

Conheço poucas pessoas que são extremamente curiosas, que amam sexo de todos os jeitos, com variação de corpos, práticas e afins. Boa parte, no geral, avalia o sexo com a outra pessoa como excelente, bom, mais ou menos ou péssimo, quando não elenca só uma parte dele: “Faz um ótimo oral”. Isso nos mostra que não é tão fácil assim se encaixar sexualmente com alguém —portanto o número de parcerias sexuais de alguém não te faz menos ou mais transante.

Mas é sempre aquela luta contra o imaginário social. Uma pesquisa publicada no “The Journal of Sex Research”, periódico de estudos sobre comportamentos sexuais, realizada com 188 entrevistados entre 18 e 35 anos no Reino Unido, investigou a vontade de as pessoas se envolverem com outras a depender do histórico sexual delas —e perceberam que, de fato, o efeito do número de parcerias anteriores influencia.

De modo geral, as pessoas tendem a ser mais atraídas por quem não tem nem três parceiros anteriores, e demonstram relutância em se envolver com alguém com uma história sexual excessivamente extensa, quando se trata de relacionamentos duradouros. A variação de gênero só foi estatisticamente relevante quando a intenção dos entrevistados estava só em relacionamentos de curto prazo: homens davam menor importância para o número de parcerias anteriores do que as mulheres.

O curioso foi que o número médio de parcerias anteriores do grupo entrevistado era maior do que se esperava do outro como ideal: mulheres já tinham feito sexo, em média, com seis pessoas, e os homens, com oito. Isso significa que, em termos de sexo, ainda sofremos com limitações morais, ao avaliar que nossas futuras parcerias deveriam ser um tanto mais tímidas em seu currículo sexual, talvez por receio de imaginá-las como um ser ‘transante’ demais só pelo número de pessoas com quem fizeram sexo no passado. Controle? Exclusividade?

Se a pesquisa fosse realizada no Brasil, e se tivessem incluído também pessoas acima dos 40 anos, talvez os números fossem diferentes.

De qualquer maneira, os resultados do estudo mostram que continuamos confusos sobre o que é interessante em termos de atividade sexual, sendo que, ao final das contas, essa resposta não deveria dizer respeito a mais ninguém a não ser de você.

 

 

 

 

 

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Imagem: Uol Universa – Reprodução/YouTube

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