Vanessa, aos 42 anos, sempre teve uma relação intensa com os próprios s3ios. Ainda na adolescência, quando era alvo de piadas por causa deles, percebeu que aquilo que provocava chacota também despertava fascínio. Aos poucos, aprendeu a se apropriar dessa característica e transformá-la em uma das principais formas de expressar sua s3nsualidade.
O problema é que, com os anos, começou a se sentir presa a esse lugar. Seus s3ios despertavam tanta atenção que ela frequentemente tinha a sensação de ser reduzida a eles. Encontrou homens com interesse s3xual intenso por mamas e percebeu que, em algumas relações, aquela preferência ocupava praticamente toda a experiência s3xual.
Preferências er0ticas são diversas e não há problema em sentir atração por determinada parte do corpo. A dificuldade aparece quando a fixação é tão grande que a parceria passa a se sentir apenas como um meio para a satisfaç4o daquele d3sejo.
Vanessa, então, viveu um dilema: como deixar de se sentir objetificada sem precisar esconder uma parte do corpo que ela própria gostava de exibir?
Durante um período, tentou abandonar os decotes e se esconder, mas deixou de se reconhecer. Mais tarde, ao conhecer uma mulher que vendia conteúdo adulto, decidiu criar o próprio perfil. Parecia uma maneira de assumir algum controle sobre o desejo que sempre foi projetado sobre seu corpo.
Até que um usuário utilizou exatamente o apelido que havia marcado sua adolescência: “v4ca leiteira”.
A frase foi suficiente para trazer de volta uma ferida antiga. Vanessa teve uma crise de choro, sentiu-se “desmascarada”, fechou o perfil e voltou a esconder o corpo.
Sua história mostra como certas experiências podem continuar nos acompanhando mesmo quando acreditamos que já estão resolvidas. Às vezes, basta uma palavra para reencontrarmos uma versão de nós mesmos que imaginávamos ter deixado para trás.
Além disso, fica o alerta sobre como usar expressões chulas, preconceituosas, de ridicularização, podem afetar profundamente uma pessoa. Nós nunca sabemos como aquilo será ‘ ouvido ‘ pelo coração do outro.










