Essa é uma das questões levantadas pelo estudo Closing the Gap, realizado pela Grindr for Equality com 18.287 usuários do Grindr em 10 países, entre fevereiro e março de 2026.
O Brasil apresentou um dado que, inicialmente, parece bastante positivo: 72% dos participantes brasileiros conheciam a PrEP diária, o segundo maior percentual entre os países pesquisados, atrás apenas do Reino Unido, com 79%.
Quando observamos o uso, porém, aparece uma distância importante. Apenas 28% dos brasileiros entrevistados utilizavam a PrEP diária. Na PrEP sob demanda, a diferença também apareceu: 65% conheciam a estratégia, enquanto somente 13% faziam uso.
A PrEP, ou Profilaxia Pré-Exposição, utiliza medicamentos para reduzir o risco de aquisição do HIV e faz parte das estratégias de prevenção disponíveis gratuitamente pelo SUS.
Então, o que explica a distância entre saber que uma ferramenta de prevenção existe e efetivamente utilizá-la?
O levantamento aponta possíveis barreiras relacionadas ao acesso, incluindo questões financeiras, capacitação de profissionais de saúde e dificuldades de orientação dentro do próprio sistema. Outro dado relevante é que os canais digitais aparecem como a principal fonte de informação sobre prevenção de ISTs entre os participantes.
É importante também colocar os números em contexto: a pesquisa foi realizada entre usuários do Grindr e, portanto, não representa toda a população brasileira. Ainda assim, ajuda a revelar uma questão importante para a saúde s3xual: informação e acesso não são a mesma coisa.
Não basta fazer com que as pessoas saibam que a PrEP existe. É preciso que elas saibam onde encontrá-la, tenham profissionais preparados para orientá-las e consigam incorporar a prevenção à própria vida s3xual.
Conhecimento é o primeiro passo. Transformá-lo em acesso é o próximo.










