Orgasmômetro: existe ‘orgasmo ruim’? Especialistas dizem que sim – UOL Universa

Ana Canosa – Colaboração para Universa

Embora seja indiscutível o prazer obtido por um orgasmo, certamente que alguns são melhores que outros. Seja pela intensidade, pela duração ou o quanto ele ressoa pelo corpo todo, fazendo vibrar cada pedacinho dele, a experiência fisiológica dá um up na percepção emocional do prazer, alimentando a satisfação sexual.

Mas, o sentido inverso também acontece, ou seja, quando alguém entra na relação sexual se sentindo pressionado a ter um orgasmo ele pode até ser experimentado como um orgasmo ruim.

Um estudo com 726 participantes com média de 28 anos, de identidade de gênero e identidade sexual diversa, majoritariamente envolvidos em relacionamentos românticos, preencheram um questionário sobre experiências sexuais e orgasmo.

O objetivo era compreender se mesmo no sexo consentido, o orgasmo poderia ser negativamente vivenciado em 3 situações: – quando não queriam ter sexo e acabaram concordando em fazê-lo por coação da parceria; – quando havia pressão por ter um orgasmo, seja a partir de si mesmos ou por parte da parceria; – quando não tinham vontade, mas acabavam sendo complacentes à atividade sexual.

Os resultados demonstraram que sim, afetos negativos podem ocorrer concomitantes à experiência de orgasmo quando há sexo coagido, pressionado ou complacente – que para a maior parte das pessoas, ele não só é sentido como menos prazeroso, mas também mobiliza emoções ruins.

Esses achados são bastante relevantes, pois nos mostram que nem sempre o desconforto emocional inibe um orgasmo e que o sexo “consentido” é atravessado por uma série de sentimentos e racionalizações, que podem ser opostas a vontade de alguém.

Sobre o sexo complacente, parece que ele funciona melhor quando a pessoa está convencida de que aquela experiência também lhe fará bem e será prazerosa, o que é diferente de motivações menos autônomas, ligadas a satisfação da parceria, como fazer sexo para adequar a frequência de quem tem mais desejo, evitar conflito, “cara feia” e mau-humor, por “obrigação” – dever marital ou “por amor” ao outro. Só o consentimento sexual não promove experiências sexuais positivas.

Os pesquisadores também observaram que crenças construídas a partir de performances de gênero foram relevantes para os sentimentos negativos experimentados.

Mulheres heterossexuais descreveram sentir-se pressionadas a ter orgasmo para aumentar o ego do parceiro; alguns homens heterossexuais e homossexuais sentiam pressão para ter um orgasmo para validar habilidades sexuais ou atratividade de sua parceria, já que há um estereótipo sobre a ‘facilidade’ masculina para se ter um orgasmo.

Participantes bissexuais também revelaram que a sua identidade sexual cria uma pressão específica para se ter um orgasmo: se por exemplo um homem bi não tem um orgasmo com uma mulher, ela pode presumir que ele na verdade é gay, o que aumenta a ansiedade de desempenho dele.

Quando aplicamos ferramentas para avaliação diagnóstica ou pesquisa sobre ocorrência de orgasmo, normalmente os participantes só conseguem avaliar sua experiência com adjetivos positivos, como sentir-se: amoroso, eufórico, relaxado, em êxtase, ou relacionada a intensidade – como no caso do “orgasmômetro” criado por pesquisadores italianos, que avalia se o orgasmo é suave ou intenso, em uma escala de 0 a 10. Não há proposições para orgasmos desprazerosos – algo que a comunidade cientifica precisa rever.

Muitos participantes da pesquisa avaliaram que os orgasmos ruins, tiveram um impacto negativo em sua saúde mental, proporcionando sentimento de frustração ou nojo prejudicando seu desempenho sexual futuro e seu relacionamento.

 

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Imagem: Uol Universa – Getty Images/iStockphoto

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