Já foi um tabu, mas se popularizou: 4 pontos importantes sobre o sexo anal – UOL Universa

Ana Canosa – Colaboração para Universa

O sexo anal está atravessado por uma série de questões. Sobre a anatomia, já sabemos que ele é praticado desde que o mundo é mundo e que envolve alguns cuidados. A questão da higiene é fundamental e muitas pessoas o evitam justamente porque tem nojo. Preservativo é necessário para evitar contágio de ISTs/AIDS. Mas tem também a relação de dominação e submissão, o ânus relegado à marginalidade e a transgressão.

Já foi um tabu, mas agora popularizou. Prática que muitos anseiam realizar ardentemente, e outras pessoas se satisfazem só com a fantasia. Eu sempre digo: clitóris e c* tem vida própria, há que saber respeitar seu momento. Há quem seja “virgem” de vagina, mas não de ânus, quem se recuse por convicção moral e quem nunca experimente com medo de gostar, por se ver ameaçado em sua identidade sexual.

Conheço um homem que nem faz tanta questão assim de fazer sexo anal, mas fica superexcitado ao narrá-lo para a sua parceira enquanto está penetrando em sua vagina.

Também conheço mulheres e homens que amam escutar, no entanto não necessariamente gostam de ser penetradas, ou pelo menos nem sempre, afinal o sexo anal pode ser desconfortável em alguns dias e em outros ser uma prática deliciosa.

Quando usamos expressões que o incorporam como xingamento, reforçamos essa ideia de humilhação. Ou seja, a prática do sexo anal está condenada politicamente ao preconceito. No sexo entre homens, alguns se recusam ser penetrados porque, segundo a lógica patriarcal de dominação, isso lhes aproximaria de um papel dito ‘feminino’, portanto menor.

Para ser passivo feliz nesse Brasil, olha, tem que estar com a terapia em dia (como se você, que se julga o ativo, não estivesse também levando no lombo ultimamente, não é?!). Aliás, passivo e ativo são conceitos que estão a ponto de ser ultrapassados: insertivo e receptivo são os novos termos politicamente corretos.

Feita a introdução preliminar – porque ninguém merece sexo anal sem aquecimento preliminar – vamos a 4 dicas essenciais:

 

1. Não tenha pressa – A não ser que a sua parceria seja fissurada na prática e esteja acostumada, geralmente será necessário um certo grau de intimidade sexual para que a pessoa receptiva se sinta segura. Pressa não é condizente. Nada de ir colocando o dedo de supetão. O sexo oral estendido ao ânus – o famoso beijo grego – é uma interessante maneira de provocar desejo. A reação corporal deve ser considerada: quando o intestino está com mau funcionamento, por exemplo, a sensação de alguma coisa entrando quando há o que sair pode ser muito desconfortável. Nesse caso, a resistência precisa ser respeitada.

 

2. Quanto mais excitação melhor. O sexo basiquinho pode não ser tão motivador. Evite também quando o teor alcoólico estiver além do limite da consciência. Muita estimulação no corpo todo, favorece a excitação. Passe a glande na entrada, sem penetrar, só para brincar. Tenha por perto camisinha e lubrificante.

 

3. Prepare o terreno. A membrana mucosa do reto é muito fina e se rompe com facilidade. Por não ter cicatrização rápida, é vulnerável a infecções. Se o machucado aumenta, pode transformar-se em uma fissura e em casos mais graves (e menos frequentes) uma fístula – vá por mim, isso é muito ruim! Massagear o ânus do(a) receptivo(a) com o dedo e com lubrificante é palavra de ordem, é preciso ir devagar. Só depois de perceber relaxamento é que o pênis ou dildo tem a sua vez.
Como o ânus não tem lubrificação natural, é imprescindível o uso de lubrificante à base de água, pois os muito oleosos podem prejudicar a integridade do látex da camisinha. Aliás, seu uso também é fundamental: a prática do sexo anal sem preservativo é a mais predisposta a contaminação de ISTs! E nunca, nas relações heterossexuais, retire o pênis do ânus e volte para a vagina, sem trocar o preservativo.

 

 

4. Escolha bem as posições: Para os iniciantes, evitem a posição “de quatro”. Ela permite penetração mais profunda e pode doer à beça, além de deixar a pessoa sem controle nenhum. A velha e boa papai e mamãe ou “de colher” (de ladinho) podem ser bem melhores. Lembre-se que, se a apessoa receptiva contrair o esfíncter anal, terá dor e a prática será um fiasco. Geralmente a glande entra, mas em seguida o insertivo sente a resistência. É preciso ter paciência para aguardar o relaxamento e continuar a penetração. A estimulação conjunta do clitóris ou do pênis do receptivo pode ser bem interessante.
Por fim, lembrem-se que nem sempre vai dar para praticar o sexo anal até que se chegue ao orgasmo, Às vezes algum incômodo pode interromper a continuidade, e tudo bem, o sexo não precisa acabar por isso.

 

 

Assista ao episódio #63 do podcast Sexoterapia “O sexo anal realmente deixou de ser tabu?”, com participação da escritora e podcaster Abhiyana, autora de “O Manual do Sexo Anal”

 

 

Leia também no Portal UOL Universa: https://www.uol.com.br/universa/colunas/ana-canosa/2022/02/08/ja-foi-um-tabu-mas-se-popularizou-4-pontos-importantes-sobre-o-sexo-anal.htm

Imagem: UOL Universa – Prostock-Studio/Getty Images/iStockphoto

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