A chamada digissexu4lidade descreve um fenômeno cada vez mais presente: a vivência da sexu4lidade mediada e, em alguns casos, substituída pela tecnologia.
O conceito, estudado por pesquisadoras como Carla Cavalheiro Moura (USP), ajuda a entender como práticas como porn0grafia online, s3xting, aplicativos de relacionamento, realidade virtual, robôs e dispositivos conectados vêm ocupando um lugar central na experiência er0tica contemporânea.
A literatura aponta duas grandes ondas desse processo: Na primeira, a tecnologia funciona como meio de aproximação entre pessoas reais; já na segunda, mais recente, ela passa a ser o próprio objeto da relação s3xual, reduzindo ou eliminando a troca direta entre humanos.
Esse movimento acontece em um contexto marcado por isolamento social, solidão crescente e busca por experiências com menos risco emocional, menos frustração e mais previsibilidade. Que isso trará um impacto na capacidade de estabelecer vínculos humanos baseados na troca de experiências subjetivas e emocionais, eu não tenho dúvida.
Mas eu penso que o empobrecimento começa antes: na dificuldade crescente de sustentar contato consigo mesmo sem distração, validação constante ou alívio imediato. Você concorda?










