Controlar horários, corrigir: 4 erros que cometemos em relacionamentos – UOL Universa

Ana Canosa – Colaboração para Universa

Viver um compromisso afetivo com alguém não é tarefa das mais fáceis: ao mesmo tempo em que é fundamental conservar certa autonomia, manter amigos e prazeres da vida individual, também é importante renunciar a certas atitudes em prol do equilíbrio do casal e da manutenção de um projeto comum —e isso vale para todos os gêneros e orientações sexuais.

Nessa equação, muitas vezes as pessoas confundem responsabilidades e limites e acabam invadindo o “campo” alheio. A seguir, listo quatro situações comuns nas quais isso acontece, para você identificar e tentar evitar —no final das contas, agir assim mostra, geralmente, uma questão sua, que você deve resolver, e não do outro.

 

 

1. Ser “relógio”
Pare de ficar ligando para dizer que horas o outro tem que voltar para casa. A não ser que você de fato precise da pessoa, esqueça isso. Deixe ela organizar o próprio horário e aproveitar seus momentos de lazer, caso esteja tomando uma cerveja com amigos, por exemplo. “Mas vai perder a hora amanhã!” Problema de quem?

Guardadas as situações mais críticas, acho que não vale a pena ficar cerceando a alegria alheia. O problema não está na hora que o outro volta para casa, mas na confiança que você tem (ou não) na capacidade dele de colocar limites. Além disso, você terá que se resolver com o próprio ego: perceber que sua parceria tem prazer com outras pessoas revela que a vida não se resume a você. Pense nisso.

 

 

2. Se responsabilizar pelo outro e controlá-lo
A importante tarefa de, por exemplo, dar um basta, seja no impulso de beber, fumar, gastar, é uma responsabilidade da outra pessoa, não sua.

Muita gente tem dificuldade de controlar a ansiedade e o impulso e, por isso, desandam a todo instante, o que pode provocar muito estrago físico, emocional e financeiro na vida do casal. 

Quem é extremamente voraz precisa aprender a identificar os sinais e controlar a impulsividade e, se tem alguém que faz essa tarefa por ele, nunca vai aprender. Ao longo do tempo aquele que faz o papel da censura (“você já bebeu bastante”; “já gastou muito”) sobrecarrega e fica chato. Quando a situação é crítica e recorrente, é melhor procurar ajuda profissional. O lema é: ajudar sim, pegar para si, jamais.

 

 

3. Fazer caras e bocas a todo momento
Se você é do tipo que sente vergonha porque o outro fala errado, alto ou dança espalhafatosamente e, como resposta, fica fazendo caras e bocas de reprovação, a pergunta é: pode me explicar por que está com essa pessoa?

Não há nada mais irritante que alguém cerceando seus movimentos, diminuindo a sua conduta e corrigindo suas ações. Tudo bem que, vez ou outra, a gente sente aquela “vergonha alheia” e precisa mesmo dar um toque, mas isso é diferente de reprovação constante.

Enquanto você fica alerta para a conduta do outro, perde a leveza, não aproveita o momento e ainda para de prestar atenção em você e no que está ao seu redor para além do companheiro. Reflita ainda se toda essa reprovação não é, na verdade, inveja da capacidade que o outro tem de ser livre.

 

 

4. Viver dando “lições de moral”
Você acha que já fez terapia o suficiente para entender todos os comportamentos humanos, que tem maturidade, já viveu muitas experiências e, por isso fica explicando, com ares de soberania, todas as causas psicológicas das ações do outro e como você faria tudo diferente, de modo muito mais maduro? Pois isso é uma chatice só.

São dezenas e dezenas de minutos em que você faz da outra pessoa uma mera espectadora do seu brilhantismo, de todas as citações que você faz, de autores famosos a versículos da Bíblia. Assine um atestado de “sabe-tudo” e veja o seu relacionamento afundar em um futuro próximo.

 

 

 

 

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Imagem: Uol Universa – Unsplash

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