Ana Canosa – Colaboração para Universa
Se você está solteira ou solteiro, buscando um relacionamento de compromisso, parece que faz parte da maioria. O app de relacionamento Happn, em parceria com a agência NellyRodi, especialista em tendências, fez uma pesquisa em quatro países —Brasil, França, Holanda e Noruega—, com 8.000 usuários sobre o que eles desejam e esperam dos seus relacionamentos em 2023.
53% afirmaram que desejam “relações sérias, com parceiros maduros, para uma relação a longo prazo”. Em 2021, em meio à perspectiva do fim da pandemia, a aposta era massiva no namoro. Mas, como muitas pessoas seguiram solitárias ao final daquele ano, os solteiros entraram em 2022 menos esperançosos.
O ano passado foi um período reflexivo. A geração Z, principalmente, ficou mais consciente de suas contradições. Se deram conta, por exemplo, que é bem difícil manter um relacionamento, que o amor não vem de graça e que liberdade é ótima, mas ter uma companhia para compartilhar a vida também é.
ambém vi surgindo várias dúvidas: será que dá para ser não-monogâmico sem devastar o estado emocional dos envolvidos? Como lidar com a fluidez das relações e a “preguiça” dos encontros, que, muitas vezes, só servem para confirmar o quão difícil é encontrar uma pessoa interessante, que esteja de fato disponível e seja curiosa sobre o outro, mesmo que seja por um único encontro? Qual a prioridade do sexo? Quando é possível apostar na consciência dos parceiros sem ficar o tempo todo esfregando de maneira violenta as suas ações machistas? Como acolher o feminismo, sem ridicularizá-lo e entendê-lo como uma ameaça aos privilégios conquistados? Dá para ter responsabilidade afetiva sendo pragmático? Sexo casual é para todo mundo? Precisamos de conexão?
No que se refere às atitudes para o início de uma interação afetivo-sexual, a geração Z parece mais consciente no manejo de ferramentas que favorecem maior profundidade e intimidade. E isso aparece já na escolha das possíveis parcerias: 71% dos entrevistados da pesquisa disseram que têm encontros com poucas pessoas e só o fazem quando estão realmente interessados.
Além disso, muitos usuários preferem encontros que favoreçam a espontaneidade para, inclusive, perceber sinais da personalidade do “crush” e se ela combina ou não. 70% preferem organizar encontros no fim de semana, e outros preferem dates sem consumo álcool (38%), durante o dia, através de atividades culturais e esportivas.
A pesquisa revelou também que esta é uma geração mais preocupada em ser transparente e que busca manejar melhor os códigos da relação. “32% destacaram que gostam de falar sobre suas expectativas a respeito da possível relação que se inicia desde o primeiro encontro ou até antes”, informa o estudo.
Mas o que achei mais interessante entre os dados da pesquisa é a valorização da energia pessoal, proveniente dos pensamentos, sentimentos e crenças, para orientar o destino: os solteiros “esperam ter mais sorte, atrair amor, percorrer o caminho certo, ou proteger-se de pessoas tóxicas”.
No final das contas, parece que há uma consciência do autocuidado e do autoconhecimento para favorecer conexões mais profundas, ao mesmo tempo em que a realidade se desvela: além de depender de cada um a construção de um compromisso amoroso saudável, convenhamos, uma pitada de “sorte” também ajuda bastante.
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