Educação sexual de crianças e adolescentes: o que os pais precisam saber – UOL Universa

Ana Canosa – Colaboração para Universa

O contato com a sexualidade acontece inicialmente na família, principal agente formador da concepção de sexualidade de uma pessoa, pelas ideias transmitidas sobre o conhecimento do corpo, do sexo e da relação sexual, mas também por todas as falas e ações que se referem à relação de gênero. A sexualidade pode ser vista como um dos modos de ser e de se comunicar com os outros. É ela que possibilita o encontro com o outro. É ela que nos impele a sairmos de nós e abrirmo-nos à relação com o diferente. Como ninguém se realiza sozinho, a sexualidade deve ser orientada para o amor.

Além da família, o contexto sociocultural, político, econômico, educacional e religioso do jovem também contribui para essa formação. A nova geração cresce em um ambiente mediado pela tecnologia, tendo alcance a muito conteúdo sobre o tema. Estabelecem relações por meio de apps, mudando a maneira de encararem as relações afetivas e sexuais. A família deve estar aberta para entender o contexto e aprender com o novo, já que muitos valores relacionados à sexualidade podem divergir das experiências dos cuidadores. Siga as dicas abaixo para ajudar seus filhos:

1. Converse sobre sexualidade desde a infância
Embora seja na puberdade e entrada da adolescência que a atração sexual se dê, a sexualidade se desenvolve desde o nascimento. Portanto, essa conversa deve acontecer desde a infância, aos poucos, à medida que as crianças precisam aprender hábitos de higiene, intimidade, limites com o corpo das outras pessoas, afetos, brincadeiras, autocuidado, masturbação.

Os cuidadores devem responder na medida do alcance da criança e, muitas vezes, introduzir alguma temática. Mentir, iludir, brigar e silenciar fazem com que a criança não fale sobre o assunto nem conte com os pais. As concepções sobre o que é ser homem e ser mulher e o modo como o jovem lida com a sexualidade são revividos nas relações amorosas da vida adulta e se tornam fonte de possíveis conflitos e problemas na vida sexual quando, principalmente, o sexo for encarado como sujo, violento ou ação para a sujeição. Por isso, a família deve contribuir para uma visão de sexualidade positiva, prazerosa e responsável. Além disso, adultos são modelo, portanto, a maneira como se relacionam em casa também importa.

 

2. Saiba que orientar sexualmente não é sobre certo ou errado
É importante dinamizar as ideias, já que isso auxilia crianças e adolescentes a se informar de maneira correta e, com isso, aprender a lidar melhor com sua sexualidade sem culpa. Além disso, eles vão poder desconstruir mitos e corrigir informações inadequadas; evitar criar fantasias que geram ansiedades e podem trazer prejuízos emocionais, sexuais e de relacionamento no futuro; e crescer na afetividade. Orientação sexual também é sobre conhecer melhor o próprio corpo, proteger-se contra o abuso sexual e aceitar e respeitar as pessoas em todas as suas diferenças.

 

3. Faça uma pergunta que ajuda a iniciação sexual de jovens
Por que se faz sexo? Há muitas motivações. Pode ser por prazer, para sentir-se aceito, para estabelecer intimidade, por amor ao outro, para se sentir desejado, por influência do grupo, para provar perícia, entre outras. Essa pergunta não pode facilmente ser respondida sem íntima reflexão, o que para a maioria dos jovens pode ser difícil.

Mais do que aprender a fazer sexo como prazer, respeito, intenção, consciência, afeto e negociação com o outro, é importante também fazer sexo seguro. E aprender a fazer sexo seguro passa não somente pelo acesso à informação sobre contracepção e ao preservativo, como principalmente pelo aprender a cuidar de si e do outro.

 

Leia também no Portal Universa:
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Imagem: Uol Universa – iStock

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