‘Tive só um parceiro por 16 anos e não curto sexo casual, há algo errado?’ – UOL Universa

Ana Canosa – Colaboração para Universa

Verônica tem 37 anos, é sensível e generosa. Começou a namorar aos 16, e se casou com este primeiro namorado, com quem teve uma longa história. Casais que se relacionam desde a adolescência às vezes criam uma unidade, já que se desenvolvem juntos. É como ter um melhor amigo sempre ao lado, dividindo os desafios e as descobertas da vida adulta. Quando monogâmicos, recusam outras vivências, tão comuns nessa fase experimental, sendo isso mais desafiador para alguns do que para outros.

Verônica sentia dor nas relações sexuais, a dispareunia. No caso dela — e de muitas mulheres — o motivo era a endometriose. Ela foi diagnosticada aos 22 anos e, após uma laparoscopia, as dificuldades no sexo melhoraram. Aos 32, descobriu que o marido tinha uma relação paralela havia dois anos e se divorciou. Era a nova solteira da cidade pequena, tradicional e machista. Ela mesma carregava muitos preconceitos: mulher de um único homem, como se abrir para outros relacionamentos?

Foi quando ela conheceu o podcast Sexoterapia, que lhe abriu o horizonte, por discutir abertamente o tema, referenciando outras vivências. Inspirada pelas reflexões baseadas nas histórias de ouvintes, percebeu que podia viver outras coisas e curtir uma liberdade sexual que não conhecia.

Quando se tem um casamento de tantos anos desde a juventude, a proximidade com amigos e suas experiências nesse campo, pode ficar comprometida. Enquanto suas amigas estão treinando sedução, paquera e autonomia sexual, contando histórias divertidas, inusitadas e dolorosas, você se sente um tanto deslocada, como se essa linguagem não lhe dissesse respeito. Pessoas que se divorciam com frequência se sentem assim.

Verônica começou a sair para bares, conhecer pessoas e se permitir ter relações sexuais casuais. Descobriu que o julgamento sobre a sexualidade da mulher solteira tinha um tamanho maior, que ela mesma havia dado. Mas algo ainda não estava a contento, porque os encontros no geral eram muito ruins: não tinha orgasmos, ficava mal no dia seguinte e não queria nem ver a pessoa após o sexo. Pensou que tinha algum distúrbio ou disfunção sexual. Quando passou a gostar de um homem, os orgasmos “vieram maravilhosamente”, como ela diz.

Verônica tem menos capacidade de se engajar em sexo casual e isso pode trazer sentimentos ruins após uma relação dessa natureza. A essência de Verônica, sua educação sexual e sua experiência fizeram da conexão afetiva um motivador importante para a entrega sexual. Se a caminhada tivesse sido diferente, mais liberal e menos restritiva, quem sabe teria mais facilidade em fazer alguma separação entre amor e sexo. Não há nada errado com ela, que segue solteira, buscando parcerias que tenham o mesmo desejo por intimidade e entrega.

 

Sexo casual é para todo mundo?

 

 

 

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Imagem: Uol Universa – iStock

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