‘Tenho o mesmo par há mais de 18 anos e o sexo continua sendo essencial’ – UOL Universa

Ana Canosa – Colaboração para Universa

Ao voltar para casa, Caroline trouxe consigo um desses baralhos provocativos, projetados para instigar conversas sobre fantasias e preferências entre casais. Marcelo, conhecido por sua falta de criatividade, sempre revira os olhos de maneira descontraída, como se dissesse: “Lá vamos nós de novo”. Carol, destemida diante das resistências envergonhadas, eventualmente pegou as cartas e começou a lê-las em voz alta:

“Por baixo ou por cima?” – “Por baixo.” “Bater ou apanhar?” – “Os dois” – Carol exclamou — “devia ter me dito que eu enchia a mão.” “Na sua opinião, qual a minha maior habilidade?” Aguardando uma resposta como “o seu boquete”, ela ficou surpresa quando ele disse: “A sua entrega”.

A habilidade de ser bom na cama está menos relacionada à performance. Pode-se ser bem-intencionado e talentoso em práticas sexuais específicas, como o sexo oral, mas nada é mais sexualmente instigante do que se entregar com espontaneidade e vontade de se divertir.

Essa capacidade de entrega em uma relação sexual resulta de vários fatores: permissão interna para o prazer, boas experiências sexuais, autoimagem positiva, consciência corporal, crença na possibilidade de ser desejado e amado. Uma dose de egoísmo é crucial para buscar a satisfação individual, assim como a generosidade para ser uma fonte de prazer para a parceria.

Marcelo e Caroline compartilham uma jornada de mais de 18 anos, um filho e uma relação que envolve desafios. Enfrentaram instabilidade profissional, dificuldades na gestão da autonomia e nenhum investimento em um projeto comum, além de desafios na saúde mental. A comunicação foi um obstáculo, mas aprenderam a criar uma linguagem que não exacerbasse o esforço, respeitando as diferenças e valorizando a jornada conjunta.

O sexo sempre foi um elemento essencial entre eles. Costumavam ser o casal que transava várias vezes ao dia, trancado no apartamento no fim de semana. Mantêm química forte e linguagem sexual assemelhada. Para eles, o sexo é um momento de alegria e prazer. Embora tenham experimentado altos e baixos, cada encontro sexual reafirma seu vínculo: se aceitam, se desejam e adoram se aninhar um no corpo do outro. Mantêm notável capacidade de observação dos desejos individuais, desde encontros longos até os rápidos, e brincam com bom humor quando a libido é derrotada pelo cansaço cotidiano.

Todos desejam uma pessoa sexualmente competente, mas uma parceria de conexão sexual é muito mais. É alguém que permite que o enredo preferido seja presente, mesmo que nenhuma palavra seja dita. É encantador ver como Carol e Marcelo compreendem a linguagem um do outro e, mesmo após tanto tempo, alimentam a memória erótica que compartilham. Apesar dos mais de 50 anos, ainda se veem como jovens adultos da época em que se conheceram. Desafiam a ideia de que o sexo no casamento é uma sentença de morte, revelando que, para alguns casais, o desejo pode continuar presente.

 

 

 

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Imagem: Uol Universa – Getty Images

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