Só na vontade: sem sexo explícito, Love Cabaret tem fetiche com gente nua – UOL Universa

Ana Canosa – Colaboração para Universa

Estive na inauguração do Love Cabaret na sexta-feira (23). A casa de espetáculos habita o endereço do antigo Love Story, que fez história na noite paulistana por mais de duas décadas: a balada que era ponto de encontro de profissionais da noite, profissionais do sexo e quem mais quisesse se esbaldar até o sol raiar.

Chamado antigamente de “a casa de todas as casas”, o lugar agora tem como lema “a casa de todas as casas é o corpo”. Pretende ser plural, mas fica mais fácil entender o que o espaço é pelo que ele não é: nem bar ou restaurante, também não chega a ser uma balada, menos ainda uma casa de swing ou de pegação. Diria que é um lugar para aguçar o erotismo, mas não só o convencional.

Você não verá sexo explícito, mas terá uma experiência de entrar em temas que muitas vezes se restringem a grupos mais fechados.

Tive o prazer de assistir a shows de BDSM e shibari (amarração) e a performances burlescas e no pole dance. Os performers têm diferentes corpos, orientações sexuais e identidades de gênero, o que convida o espectador a ser curioso com as múltiplas expressões da sexualidade.

Você pode tanto achar interessante algo que não está registrado no seu dicionário erótico como se incomodar, o que de qualquer forma promove autoconhecimento e possibilidade de expansão.

Escutei alguém verbalizar que foi pega por uma cena de dominação —no caso era um homem a dominar uma mulher. É o erotismo sendo influenciado também pelas questões políticas e sociais, além das próprias vivências pessoais.

Se você está naquela fase de criticar todo comportamento que lembre os ditames do patriarcado, pode ser que se incomode com um ou outro show, mesmo que saiba que ali há consentimento e uma evidente satisfação dos performers em suas apresentações.

Além disso, relações hétero com corpos padrão também fazem parte da diversidade erótica. Me chamou a atenção, por exemplo, que só algumas artistas com vulva ficaram completamente nuas, enquanto as pessoas com pênis mantiveram os seus tapa-sexos.

Conversando com a curadora da Love Cabaret, Mayumi Sato, descobri que a nudez total não é, a priori, uma finalidade, mas que os próprios artistas podem sentir vontade de maior exposição genital.

Também é importante reafirmar que são vários shows se revezando durante a semana, então é possível que algo que não apareça em uma seja contemplado em outra. A Love Cabaret é um espaço de inspiração, um lugar para despertar sensações e desejos. Para mim, é um convite para mudar a perspectiva do erotismo padrão.

 

Sexoterapia: Acho o fetiche do meu par estranho

 

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Só na vontade: sem sexo explícito, Love Cabaret tem fetiche com gente nua

Imagem: Uol Universa – Karime Xavier / Folhapress

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