Quando um fetiche sexual pode se tornar perigoso? – UOL Universa

Ana Canosa – Colaboração para Universa

Recentemente, tive a oportunidade de participar como ouvinte de um encontro chamado “Roda de Fetiches” ,que abordava questões ligadas a segurança e consentimento em algumas interações BDSM.

BDSM é uma sigla que abrange várias práticas eróticas, como “bondage” (amarrações), disciplina, dominação e submissão e sadomasoquismo. Consentimento é uma palavra de ordem para o jogo, e a reflexão do grupo já começou instigante: se a noção de consentimento nas relações baunilha (a tradicional, sem fetiches) já é difícil, pois muitas vezes as pessoas se submetem a práticas só para agradar ou outro, no BDSM é pior: aceitar o que não é exatamente o seu desejo pode fazer parte do fetiche da outra pessoa, nublando os limites.

Isso acontece, por exemplo, quando praticantes que apanham ou são amarrados suportam mais e mais não porque desejam, mas porque isso faz parte da sua performance para agradar a outra pessoa. Em outras vezes, dor e prazer se misturam muito, porque a adrenalina e a endorfina liberadas, responsáveis pelo prazer, fazem o corpo acreditar que pode ir além —vejam o caso de esportistas que já se lesionaram gravemente ou chegaram à exaustão em provas de alta performance. Além disso, dizer sim para a parte que domina pode vir de dependência emocional, manipulação e inseguranças, transformando uma relação de dominação e submissão, que poderia ser saudável, em algo tóxico.

Como uma relação que deve ser baseada em transparência e negociação de acordos claros, quem domina e quem se submete precisa estar consciente do que verdadeiramente motiva o consentimento. Quando o medo e a insegurança tornam difícil dizer não e estabelecer limite, o consentimento precisa ser questionado. Quando se está instável emocionalmente, quem sabe movido por sentimento de rejeição ou culpa, o jogo pode ficar muito perigoso, a ponto de colocar a vida em risco: vira autodestruição.

 

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Imagem: Uol Universa – Unsplash

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