Ana Canosa – Colaboração para Universa
De acordo com a pesquisa Prazeres de Universa Talks + Tech4sex, cerca de 45% das mulheres brasileiras se sentem satisfeitas sexualmente, pouco menos do que a metade da população “conectada”. O cenário fica ainda pior quando fazemos um recorte de orientação sexual: são as heterossexuais apontadas em vários estudos diferentes as que têm menos orgasmo e/ou maior insatisfação sexual. Embora a presença de orgasmo na relação sexual não seja o único fator gerador de satisfação sexual, claro que, por trazer sensações prazerosas e provocar bem-estar, ele é importante, principalmente quando pensamos que pode alimentar a disponibilidade para o desejo responsivo.
Uma amostra norte-americana, por exemplo, realizada online com cerca de 52.588 pessoas cisgênero de diferentes orientações sexuais, sobre frequência de orgasmo na relação sexual com parceria, revelou que homens heterossexuais eram mais propensos a dizer que geralmente sempre têm orgasmo (95%), seguido por gays (89%), homens bissexuais (88%), lésbicas (86%), mulheres bissexuais (66%) e mulheres heterossexuais (65%) – as últimas da fila.
Reside nessa realidade a grande dificuldade que as mulheres têm de fazerem sexo por prazer sexual e não por imposição cultural ou pressão do parceiro, além de falta de conhecimento sobre a sua resposta sexual e as potencialidades do corpo. Também vamos encontrar a culpa por desejos sexuais que não estão ligados ao parceiro nem à relação de “amor” internalizada como ideal. Homens cisgênero nascem em um contexto social de permissão ao prazer e orientação para a atividade sexual que, lógico, tendenciará para que aconteça como gostam e entendem que deva ser. Mulheres cisgênero, ao contrário, são orientadas para a passividade, aceitação e apresentam muita dificuldade em ‘frustrar’ suas parcerias, mudando contextos ou solicitando inovações.
Por isso é importante a mudança de atitudes que reflitam uma apropriação do corpo e do direito de ter prazer. No levantamento norte-americano, as mulheres que tinham orgasmo com maior frequência também revelaram fazer e receber mais ações sexuais em comparação àquelas que não tinham orgasmo com tanta frequência.
Elas recebiam mais sexo oral, tinham relações sexuais mais longas, eram as mais satisfeitas com o relacionamento, verbalizavam seus desejos durante o sexo, elogiavam o parceiro por algo que fizeram na cama, lançavam mão de provocações sexuais por e-mail, telefone ou troca de mensagens/nudes, usavam lingerie sexy, testavam novas posições sexuais, recebiam estimulação anal, “encenavam” fantasias (lembrando que pode ser por diálogos), incorporavam sexytalk e também expressavam amor durante o sexo. Percebam aqui que há o atravessamento de alguns critérios que vão além da genitalidade —como a satisfação com a relação e o afeto— que favorecem a excitação e, portanto, obtenção de orgasmo. É a roda da felicidade que se retroalimenta.
Fazendo um recorte apenas levando em consideração a última relação sexual com orgasmo, as mais propensas a tê-lo revelaram que o último encontro sexual incluiu beijo profundo, estimulação genital manual e/ou sexo oral, além de relação vaginal. Tá dado o recado!.
Leia também no Portal Universa:
Mulheres estão insatisfeitas no sexo: ações simples melhoram o prazer delas]










