Ghosting também é bom. Às vezes, é melhor ainda pra quem leva – UOL Universa

Ana Canosa – Colaboração para Universa

Embora as pessoas fiquem magoadas, com raiva e desapontadas quando um crush dá sumiço, parece que a maioria está se acostumando com o fenômeno do ghosting (quando a alguém para de responder e não dá mais notícia), típico das relações mediadas por aplicativos de relacionamento e de troca de mensagens.

Um estudo espanhol, por exemplo, comparou o efeito psicológico do ghosting ao de outro comportamento, o breadcrumbing —dar migalhas, na tradução livre em português—, que significa manter a atenção com mensagens paqueradoras, mas não comprometedoras, mantendo a pessoa interessada e a deixando na espera. A pesquisa revelou que o ghosting, sozinho, não tinha um efeito devastador. Mas quem ficou só recebendo migalhas ou quem as recebeu antes de tomar um sumiço mostraram um índice menor de satisfação com a vida, maior sentimento de desamparo e de autopercepção de solidão.

De qualquer maneira, receber um ghosting pode ter um impacto na autoestima e afetar o bem-estar mental. Outro estudo, agora holandês, investigou os motivos e os sentimentos de culpa que aparecem nessas situações. Na pesquisa, quem levou ghosting diz que não era suficientemente bom, interessante, atraente, alto ou musculoso. Outros disseram se achar chatos, muito gordos ou feios.

Alguns continuaram se perguntando o que fizeram de errado e se eles haviam dito ou feito algo que não foi apreciado pela outra pessoa.

O ghosting sempre leva a essa autodepreciação ou há um limite aceitável para sumir?

Os códigos para responder essa questão não são delimitados nem universais, mas quando um encontro não funciona bem logo de cara, as pessoas —e estamos falando das que tomam o ghosting— já não acham uma falta grave desaparecer em seguida. Aliás, há quem pense ser desnecessário justificar a ação, já que o match ruim ficou claro na vida real.

Além disso, quando as pessoas estão no início das conversas, sumir é compreendido como sinal das relações atuais: diante de tantos contatinhos, não dá para administrar todo mundo.

Agora, analisemos o que diz quem some. Segundo a pesquisa, o ghoster costuma culpar seus crushes: eram chatos, alguém que se apaixona facilmente ou com problemas, como medo de compromisso.

Agressivos, desrespeitosos e racistas também foram algumas das justificativas, além de enviar imagens de conteúdo sexual não solicitadas.

 

 

 

 

 

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Imagem: Uol Universa – Unsplash

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