Ana Canosa – Colaboração para Universa
Uma pesquisa realizada pelo App Happn mostrou que 27% da Geração Z —pessoas que têm hoje entre 13 e 28 anos— sente mais pressão social para encontrar seu crush e ter um relacionamento, comparado a 15% da geração Millenium (28 e 42 anos) e 14% para a geração mais velha. Essa geração parece ser a mais desconfortável com a “solteirice”: apenas 9% disseram que se sentem à vontade com a situação atual de sua vida amorosa.
Resta saber se essa ‘pressão’ é mais internalizada —quando eu acho que as pessoas estão me cobrando algo ou me julgando por inadequações— ou se de fato alguém cobra ‘namoro’ ou ‘casamento’ dessa juventude. Assim, na cara dura, como no século passado.
Esses levantamentos são interessantes, pois revelam que o desejo da vivência do amor em uma relação de compromisso é ainda muito presente, embora aconteça mais tardiamente do que foi com as gerações anteriores. Muito embora a geração Z esteja mais aberta a viver relações afetivo-sexuais em formatos diversos, sem tanta imposição de valores estreitos como a monogamia e o casamento, ainda assim tendem a não querer renunciar ao desejo de encontrar alguém para formar um ‘par’. O que mudou é que essa geração experimenta o sexo casual com mais liberdade e adia assumir relações, pois o foco está no fortalecimento da autonomia individual, comumente voltada ao desenvolvimento profissional e financeiro, quando uma ‘relação de compromisso’ pode atrapalhar os planos.
Mas quando há uma certa estabilidade no campo profissional, o jovem percebe um certo “cansaço da vida adulta”, trabalhar, pagar contas, saber que a vida laboral pode ser também tediosa e cansativa. Nesse contexto, o apaixonamento surge como uma vontade de preencher um espaço de falta. Para 64% da Geração Z, segundo o levantamento, a prioridade no momento é encontrar uma paixão com quem compartilhar momentos especiais. 52% das mulheres afirmaram que estão realmente procurando um relacionamento sério no Happn. É o ser humano, no desejo de se apegar e encontrar prazer na relação afetiva.
No entanto, essa geração é mais consciente de que uma relação de compromisso requer investimento emocional e dá trabalho, portanto buscam uma parceria ‘compatível’ para seguir a vida. De fato, quanto mais jovens e inexperientes, mais nos lançamos a relações que se estabelecem pela força dos ‘opostos que se atraem’.
Parece que há maior disposição para acomodar diferenças, mas também, por outro lado, esse tipo de escolha mobiliza comportamentos típicos de quem está se ‘testando na vida’, medindo forças, com necessidade de provar pontos de vista, reforçar a importância da personalidade, avaliando o quanto se está mais certo de viver de um jeito ou de outro, comparado a outra pessoa.
Quanto mais velhos, mais sabemos que não há certo ou errado no modo de viver, que as escolhas também implicam em renúncias e que parcerias com gostos, jeitos e valores assemelhados funcionam melhor em uma relação. São mais confortáveis, leves, já que estamos menos dispostos para fazer o que não desejamos ou que nos custe muito em termos de energia para adaptação.
Na pesquisa do Happn, 18% da Geração Z exploram todas as possibilidades antes de entrar em um relacionamento, o número mais alto entre todas as idades. Outro fato interessante é que 95% dizem que não estão em um relacionamento porque ainda não encontraram alguém compatível – outro choque de realidade, não é mesmo?
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