Clitóris tem vida própria: às vezes, ele só precisa de um tempo – UOL Universa

Ana Canosa – Colaboração para Universa

O clitóris e o pênis são órgãos homólogos: eles possuem uma glande e um corpo erétil, portanto excitável a partir da concentração sanguínea e da ativação das fibras nervosas que os ligam aos centros de prazer. O que vemos na vulva é só a glande, já que o corpo do clitóris é interno — ele acompanha os grandes lábios da vulva e ‘abraça’ a entrada do canal vaginal. Mede cerca de 10 cm no total. O pênis tem em média 13 cm em ereção.

A glande do clitóris é bem menor que a glande peniana, o que o torna bastante mais sensível, já que concentra as fibras nervosas em um espaço menor. Isso faz com que, embora seja um órgão cuja única função é proporcionar prazer, a depender da pressão e do estímulo há a possibilidade de desconforto. E nem sempre é possível controlar isso: muitas vezes está tudo ótimo, mas uma pequena mudança de posição já faz com que o estímulo fique aflitivo.

Clitóris tem vida própria. Muitas vezes é necessário abandonar a área por alguns minutos para então retomar a estimulação. Mesmo com o uso de vibradores ou sugadores, a experiência nunca é a mesma. O sugador de clitóris tem uma vantagem por não colocar pressão sob a glande, mas envolvê-la, em movimentos de sucção. Os vibradores tendem a ser mais bem “acolhidos” por ele quando posicionados ao lado ou um pouco mais abaixo.

Embora a anatomia do clitóris já tenha sido descoberta há tempos, só recentemente a ciência se debruça sobre ela e como os processos de excitação e orgasmo acontecem a partir dos estímulos feitos na região. É bastante difundida a ideia de que o clitóris tem 8.000 terminações nervosas, número baseado nos estudos com animais.

Mas uma nova pesquisa, dessa vez realizada com paciente humanos, descobriu que há, em média, 10.280 fibras nervosas, o que o torna ainda mais potente do que imaginado antes. A amostra foi composta por pacientes transmasculinos (sexo feminino atribuído ao nascimento, com identidade de gênero masculina), que passavam por cirurgia de faloplastia de afirmação de gênero.

Foram encontrados uma média de 5.140 nervos dorsais do clitóris (DNCs), fontes primárias da sensação. Como os DNCs tem dois lados simétricos, esse número foi dobrado para encontrar o número médio de fibras nervosas do clitóris.

Segundo os pesquisadores, “Os resultados deste estudo percorrem um longo caminho para fornecer uma descrição mais precisa do clitóris para pesquisas futuras, fins educacionais e procedimentos médicos que envolvam a alteração ou reconstrução do clitóris.”

 

 

Leia também no Portal Universa:
Clitóris tem vida própria: às vezes, ele só precisa de um tempo


Imagem: Uol Universa – Aja Koska/Getty Images

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