Chama o bombeiro: Fantasias sexuais aumentam a produtividade no trabalho – UOL Universa

Ana Canosa – Colaboração para Universa

Não é verdade que as mulheres só têm fantasias sexuais românticas ou ligadas à submissão. Conheço uma porção que adora ver homens fazendo sexo entre si, outras que imaginam transar com desconhecidos no banheiro de uma balada qualquer, outras que piram com cenas de orgia.

Outro dia, uma conhecida minha veio me contar que fez um curso de dominação com o ex-marido, com quem sempre teve muita química sexual. Ela se pôs a testar seus dotes recém adquiridos na arte do BDSM (Bondage, Disciplina, Sadismo, Masoquismo).

Quer mais detalhes, né? Vamos lá: essa minha amiga narra ter colocado o sujeito sentadinho na cama, e, usando um corpete de látex, se sentou em uma cadeira à sua frente. Olhando bem dentro dos seus olhos, ela foi lentamente falando sobre o que ia acontecer, sobre as regras, as palavras de segurança, e ele achando aquilo meio engraçado… Foi quando, sem aviso prévio, ela tacou-lhe um tapa bem dado na cara – que fez o ex-marido perder o rumo e entender que a dominatrix não estava de brincadeira e o jogo já tinha começado.

Melhor que ter uma boa relação com um marido, é ter uma ótima com o ex-marido. Vai por mim.

Essa foi a fantasia dela, mas claro que ainda há muito romantismo no imaginário feminino. Culturalmente, o sexo está atrelado ao amor para as mulheres pelo menos nos últimos três séculos, o que torna comum que as imagens mentais consideradas excitantes e que ativam o desejo e fomentam a excitação feminina ainda tenham um caráter de conexão afetiva, de ser seduzida por figuras consideradas “machos padrão”. E tudo bem também.

Estava eu conversando com um coleguinha da minha aula de pilates sobre o tema, ele é dono de uma grande empresa, e acabou me contou o seguinte fato: ‘um certo incômodo sobre o ócio dos bombeiros que é obrigado a ter na empresa’. Não era uma questão de descaracterizar a importância da profissão, ele sabe que são treinados para emergências importantes, mas não era o que acontecia de fato.

Continuando sua história, meu colega de pilates acrescentou que, semanalmente nas troca dos turnos, o trabalho dos bombeiros de porte atlético aumenta para socorrer funcionárias da empresa que sofrem com desmaios, ataques de asma e taquicardia, que segundo os bombeiros marombeiros, é teatro puro! Ou seja, meu colega estava indignado por acreditar que tem bancado bombeiros para ressuscitar o tesão da mulherada da empresa!

Nada mais justo, lhe respondo, pois a pele é um órgão sexual importantíssimo. Já está mais que comprovado cientificamente a importância do toque na produção de ocitocina, que é um hormônio que promove sentimentos de amor, união social e bem-estar. Sendo assim, meu colega de pilates estava olhando pelo lado errado da coisa. Enquanto houver bombeiros interessantes na empresa, mais funcionárias ficarão felizes com o labor. É meia hora de pausa no trabalho, para o aumento da produtividade depois. Certeza.

Vai ter riso solto durante o café, quando as colegas tramarão o próximo mal súbito, fazendo um rodízio para não dar na cara. Mas também terá empolgação para seguir o trabalho e voltar na semana que vem com mais uma missão. Se isso não faz parte de um programa de bem-estar e saúde mental no trabalho, não sei o que faz.

 

 

Leia também no Portal Universa:
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Imagem: Uol Universa – Getty Images

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