É possível amar alguém e deixar de sentir atração pelo seu corpo?
Cristiane, 43 anos, namora há 2 anos um homem de 64. A relação tem um forte vínculo emocional, mas recentemente ela percebeu que a atração s3xual diminuiu. Também começou a se sentir menos confortável demonstrando carinho por ele em público.
A primeira explicação poderia ser bastante comum: depois da paixão inicial, a intensidade do desejo mudou. Mas a diferença de idade e o envelhecimento do namorado parecem fazer parte dessa história.
O curioso é que Cristiane vive uma relação aberta e também se relaciona com outro homem, 13 anos mais velho, cuja aparência não a incomoda. Então, por que o corpo de um passou a afastá-la enquanto o do outro continua despertando desejo?
Uma hipótese é que estar com um homem +20 anos mais velho também faça Cristiane entrar em contato com o próprio envelhecimento e com as crenças que cercam casais com grandes diferenças de idade. Ao olhar para ele como um homem mais velho, ela também pode se perguntar o que aquela relação comunica sobre ela aos outros.
Existe ainda outro conflito: Cristiane se sente fútil por admitir que a estética é importante para mover seu desejo s3xual. Como se, por ser mulher e existir um vínculo afetivo, a aparência do parceiro não devesse importar.
Mas afeto e atração s3xual não são necessariamente a mesma coisa. Para algumas pessoas, a personalidade, a intimidade e a história compartilhada conseguem sustentar o er0tismo apesar das transformações físicas. Para outras, determinados atributos corporais continuam tendo um peso significativo naquilo que desperta d3sejo.
E diferenças grandes de idade podem acrescentar outros desafios à relação: estilos de vida, valores, projetos e também a s3xualidade podem seguir ritmos diferentes.
No caso de Cristiane talvez não exista uma explicação única. O desejo pode estar atravessado pelo corpo que envelhece, pelo olhar social sobre aquela relação e pela maneira como ela própria está lidando com o envelhecimento.
Reconhecer isso pode ser desconfortável. Mas compreender o que mobiliza, ou deixa de mobilizar, nosso desejo é diferente de fingir que ele deveria obedecer apenas ao compromisso firmado.










