Como agir diante de perguntas feitas pelas crianças do tipo “como eu nasci” ou “como o irmãozinho foi parar dentro da barriga da mamãe”?

O ideal é responder até onde a curiosidade da criança alcança. Deve-se responder a questão com outra pergunta. Assim, é possível formular a resposta adequada. Informações demais podem confundir a cabeça da criança. E explicações de menos podem levá-la a buscar outros dados em fontes não confiáveis. Evite as mentiras, porque, além de prejudicar a relação de confiança entre pais e filhos, elas podem fazer com que a criança tenha vergonha de falar sobre um possível caso de abuso sexual.

Com que idade a criança está preparada para receber educação sexual?

Por volta dos três anos de idade, geralmente livres das fraldas, elas começam a tocar seus órgãos e a perceber que podem ter prazer. Neste momento, pais e educadores devem fazer com que elas saibam lidar com sua descoberta e percebam que há hora e lugar para a exploração. Se houver insistência, o ideal é convidá-las para participar de outra atividade, mas sem intimidá-las ou afirmar que o ato é “feio”. Em seguida, as crianças começam a ver as diferenças entre meninos e meninas. Ela pensa que lhe falta um pedaço. Ele acha que a qualquer hora também pode ficar sem o pênis, como as meninas. Neste momento, pais e educadores devem ressaltar as diferenças de gênero. Por volta dos cinco anos, surge curiosidade para explorar o corpo dos amigos. Pais e educadores devem ficar atentos para a conotação desse processo, porque as crianças ainda não têm uma visão erótica dessas manifestações.

O que deve ser feito quando a criança começa a se masturbar várias vezes por dia?

A masturbação na infância é comum, porque a criança está descobrindo seus órgãos genitais e o prazer que eles lhe conferem. O importante é socializar a criança, mostrando que o ato deve ser realizado na intimidade e aproveitar para alertar sobre abuso sexual. A masturbação excessiva acompanhada de um comportamento específico, como isolamento e baixa auto-estima, pode representar alguma alteração emocional. Em algumas situações, a criança começa a se acariciar de propósito na frente de outras pessoas. Nestes casos, deve-se procurar ajuda profissional.

Qual a importância da educação sexual nos casos de abuso sexual?

Pais e educadores devem deixar claro para as crianças que adultos não podem tocar ou acariciar certas partes do corpo delas. Também devem orientar constantemente que as brincadeiras sejam compartilhadas, de preferência, com crianças da mesma idade e não com crianças mais velhas. Tudo deve ser passado com muita naturalidade, para que não sejam desenvolvidos traumas. A orientação pode ajudar a criança a denunciar o abuso sexual.